SE LIBERTANDO DAS AMARRAS: O PROCESSO DO DESPERTAR

SE LIBERTANDO DAS AMARRAS: 

O PROCESSO DO DESPERTAR

Por: Mavesper Cy Ceridwen

Considerando neste texto que um Iniciado, para merecer tal título, precisa ser na verdade o que se chama um Desperto ( em questão de auto-conhecimento) , há que se começar a se observar e aprender a identificar o que em nós é realmente atitude de Desperto e o que ainda obedece aos automatismos sem sentido e sem reflexão dos Adormecidos.

Muita coisa em nossas vidas é entendido como "natural". É natural querer um amor, é natural querer um/uma companheiro/a, é natural querer filhos, é natural querer sucesso material, é natural querer progredir, é natural querer alguma coisa, seja o que for. MAS, quanto é mesmo "natural" e quanto é fruto de construções culturais e sociológicas, fruto não de nossas aspirações pessoais, mas apenas do que esperam de nós instituições como família, Estado, democracia, gênero, classe social,etc etc etc?

Focando um pouco na questão romântica, que é um excelente exemplo. O patriarcado é um sistema de opressão baseado no controle do prazer. Isso se mescla ao próprio conceito de propriedade - liga-se às origens do capitalismo e da propriedade privada pelas questões de herança. Toda chamada "moral cristã ocidental" em nossa sociedade se baseia nisso, toda repressão sexual presente em sistemas como o islamico se baseia nisso. O corpo da mulher é "perigoso" porque é fonte de prazer e perifgo de DESCONTROLE precisa ser rigidamente controlado. As formas sexuais diferentes da monogamica heterossexual, que é erigida ao status de normoafetividade" ( "a afetividade normal do ser humano") são consideradas insalubres, perigosas, criminalizadas, demonizadas.

Baseada nessas reflexões, me ponho a pensar: quanto do que em nós consideramos "natural" é apenas a repetição automatizada, robotizada de padrões culturais impostos por um sistema de controle do prazer que serve ao controle social e, ultima ratio, ao controle do capital?

Quanto das minhas chamadas "aspirações e sonhos romanticos" ainda são produto da escravização a uma ideia base de que a monogamia é "certa", de que existe um "alma gemea" , que é preciso esperar "the one'? Quanto do que sinto e meus desejos são realmente meus desejos e quanto são apenas o eco pobre e escravizado da cantilena que gerações e gerações de mulheres de minha familia sofreram como lavagem cerebral para continuarem perpetuando o patriarcado cristão?

Pois é... pensando em liberdade e em como nada disso é "automatico" no sentido de "natural"...

Beijos, BB